Tarso Genro: 'Por preconceito, chamam Dilma de mandona'

"O ministro da Justiça, Tarso Genro, deverá ser o primeiro da equipe do presidente Lula a deixar o posto em Brasília para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral, como mostra entrevista de Jaílton Carvalho publicada no GLOBO. Candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso pretendia sair da Esplanada dos Ministérios em dezembro, mas fica pelo menos até fevereiro.

Um dos principais nomes do PT, o ministro gaúcho avalia, nesta entrevista, o potencial de crescimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff - que, segundo ele, vai decolar quando começar o horário eleitoral na TV, em agosto -, diz que a fama de "mandona" dela é fruto de preconceito contra a mulher e que fazer retoques na imagem é natural.

Como legado no Ministério da Justiça, Tarso acredita que deixará o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), um plano de cerca de cem diferentes iniciativas orçadas em mais de R$ 8 bilhões. Reconhece que ainda não será desta vez que o governo terá condições de apontar queda significativa nos índices de violência. A melhora, segundo ele, ainda é "imperceptível".

O senhor iria sair do ministério em dezembro, mas tem agenda até fevereiro. Por que mudou de ideia?
TARSO GENRO: O presidente pediu que eu tirasse férias e depois conversasse com ele em definitivo. Mas não vai ser uma data muito distante da que eu vou voltar. Vai ser uns 15 ou 30 dias próximos à minha volta das férias, que é 24 de janeiro.

Então é no fim de fevereiro?
TARSO: Não temos data definida ainda, mas é por aí ou talvez antes.

O presidente Lula causou desconforto no PMDB ao falar de lista tríplice para a escolha do vice da ministra Dilma. Não estava certo que seria o deputado Michel Temer?
TARSO: Será uma decisão do PMDB. O PMDB terá que tirar uma posição oficial sobre manter-se na coalizão. Quando o presidente fala em lista tríplice ele está, na verdade, fazendo um movimento em homenagem ao PMDB, dizendo que eles têm mais de um. Mas o presidente sabe perfeitamente que quem vai indicar é o PMDB.

O PMDB não gostou...
TARSO: Na verdade teve uma coincidência. No momento em que o presidente fez a homenagem, começaram a salpicar notas de que o presidente do PMDB estaria sendo investigado pela Polícia Federal. Não é verdade. Ele me telefonou, conversamos. A Polícia Federal não investiga o presidente de um Poder. Quem faz essa investigação, se é que é necessária, para qualquer presidente, é o Supremo Tribunal Federal. A PF não está investigando o presidente da Câmara. Essa coincidência é que irritou um pouco o presidente Temer, mas acho que ele ficou satisfeito com as explicações dadas.

Surgiram rumores de que, se a candidatura da ministra Dilma tivesse dificuldade para decolar, o presidente poderia se licenciar para se engajar na campanha. Isso tem fundamento?
TARSO: Não tenho ideia. O presidente está com uma agenda internacional muito forte e uma licença só seria decidida por ele numa situação muito específica e acredito, sinceramente, que não vai acontecer.

A candidatura da ministra preocupa, diante dos números das pesquisas?
TARSO: Sinceramente não estou preocupado. A Dilma tem três condições fundamentais para decolar no momento adequado. Primeiro, um partido que vai lhe dar apoio muito forte. Segundo, tem, provavelmente, o melhor cabo eleitoral do mundo, o presidente Lula. E terceiro, capacidade de gestão. No momento que o debate político começar efetivamente, no momento em que a televisão começar a funcionar, vamos ver a realidade de cada candidatura.

E essa imagem de que ela é autoritária, mandona...
TARSO: É que uma mulher, quando tem autoridade, normalmente é vista como mandona. Ela tem autoridade e, na minha opinião, exerce essa autoridade de maneira muito correta. Como existe semeada na sociedade uma série de preconceitos em relação à mulher, logo a indicam como mandona.”
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Foto: Roberto Stuckert Filho
Entrevista Completa, ::Aqui::
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