Vai em frente Dilma, saravá

Rui Martins, Direto da Redação

“Quando estávamos terminando o curso de Direito, no Largo de São Francisco, em 1963, criou-se, como de praxe, uma Comissão da Formatura. Naquela época, eu já não era um presbiteriano ativo e me debatia com as dúvidas que me levariam à descrença, principalmente depois da IPB ter tomado o partido dos militares.

Era um ano politicamente quente com os grandes debates das reformas de base, e a passagem pelas Arcadas de Leonel Brizola com seu verbo inflamado respondendo às acusações levantadas contra Jango pelo líder udenista Carlos Lacerda.

O mais importante era talvez a crença, entre os jovens, de que se podia mudar o mundo, por isso cada um de nós (não sei se mantenho esse comportamento do passado) estava sempre pronto a entrar numa trincheira, mesmo sem armas, para defender idéias de igualdade social, de combate à miséria com todo o ardor da juventude.

Ora, vez ou outra, nos intervalos das aulas (eu fazia o curso noturno), apareciam os membros da Comissão de Formatura para contar como iam organizar nossa festa, quanto poderia custar, onde ia ser o baile e como deveríamos pagar nossa parte. E numa dessas noites, fomos informados sobre a missa da formatura. Eu, pessoalmente, nunca imaginara que, numa Faculdade de Direito pública da USP, pudesse haver missa numa festa de formatura.

Pedi informações, e me foram dadas: era praxe (meus colegas advogados têm uma atração por palavras desse tipo e mantenho o original) os formandos pedirem a celebração de uma missa. O arcebispo já havia sido contatado e a missa seria na prestigiosa Catedral da Sé. « Mas vejam, respondi, nós estudamos numa faculdade pública e isso me parece um tanto estranho ».

- Mas é a tradição, me responderam. Ora, como nas Arcadas de São Francisco a tradição imperava, parecia muito normal mantê-la, mesmo se ao arrepio do princípio da separação da Igreja do Estado.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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