Garcia: sociedade quer governo mais à esquerda com Dilma

Diego Salmen, Terra Magazine

“Sob a coordenação de Marco Aurélio Garcia, o PT está preparando o programa de governo da pré-candidata à presidência da República, Dilma Rousseff. O documento prevê uma maior atuação do Estado na economia do País, e é considerado mais à esquerda do que o governo Lula.

Garcia, porém, não teme que a oposição explore o documento para criar um clima eleitoral semelhante ao de 2002, quando se dizia que, se eleito, Lula não respeitaria contratos.

"A sociedade quer esse modelo, e isso se reflete, dentre outras coisas, na aceitação que o presidente, de um lado, e o governo, de outro, têm", diz Garcia, que também assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que cita o documento em discussão, o programa será apresentado no Congresso Nacional do PT, entre os dias 18 e 20 deste mês. Em seguida, a proposta deve aglutinar sugestões de outros partidos da coalizão governista, como o PMDB.

Leia a entrevista:

Terra Magazine - O senhor está coordenando a redação do programa de governo de Dilma?
Marco Aurélio Garcia - Sim, eu sou o responsável da comissão. É um trabalho coletivo, mas eu sou o responsável.

Houve algum tipo de conversa com o PMDB para elaborar esse documento?
Nós vamos preparar um documento para o Congresso do PT, e depois ele será oferecido, o conjunto dos partidos vai receber. Nós também vamos receber as propostas que os outros partidos têm, e aí nós teremos o programa da Frente. Nesse momento essa é a proposta do PT.

Por que o programa reintroduz só agora a necessidade de uma maior atuação estatal?
Não é agora. Isso é continuidade do que tem sido feito no governo do presidente Lula. Não tem nada de excepcional. É uma tendência que nós sempre defendemos no governo e que se manifestou de forma muito grande, no fortalecimento e na altíssima capitalização dos bancos públicos para melhorar nossa capacidade de investimento, no fortalecimento da Petrobras, da Eletrobras, mas ao mesmo tempo nós tivemos um fortalecimento muito grande das empresas privadas, sobretudo com a internacionalização das empresas privadas.

A crise na economia facilitou a volta do tema do Estado forte?
A tendência mundial é essa. O que nós tivemos nos últimos anos foi um fracasso completo das políticas de privatização e desregulamentação. Os países que investiram fundo nisso perderam completamente sua capacidade de integração. Nós temos que garantir o funcionamento melhor da economia com, dentre outras coisas, agências públicas com plena capacidade.

Sim...
Imagine se as propostas do passado, de privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, tivesse se concretizado, nós não teríamos os instrumentos que nós temos hoje.

O senhor acha que a oposição pode aproveitar esse viés estatista do programa para repetir a camapnha de 2002, quando se dizia que o PT não respeitaria contratos, etc?
Não, pelo contrário. A sociedade está apoiando fortemente (o programa). A sociedade quer esse modelo, e isso se reflete, dentre outras coisas, na aceitação que o presidente, de um lado, e o governo, de outro, têm. E que as pesquisas só fazem fortalecer. É claro que eu não quero superestimar esses dados, porque eles precisam se comprovar no próprio processo eleitora, mas eu gostaria de chamar a atenção que, no segundo turno de 2006, foi essa agenda que ganhou a eleição.

Com o discurso de polarização com o PSDB, qualificado de "privatista"...
Exatamente.”
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