Para Dilma Rousseff, houve desmonte do Estado brasileiro

Indicativo são as diferenças salariais gritantes entre quem executa e quem fiscaliza obras, diz ministra

Célia Froufe, O Estado de São Paulo

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje que houve um desmonte do Estado brasileiro em determinado período do País, e que hoje há necessidade de remontá-lo. Ao ser questionada sobre a principal frustração em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujo balanço dos últimos três anos foi apresentado hoje em Brasília, Dilma disse que o Brasil perdeu um pouco a sua capacidade de executar.

De acordo com a ministra, há equipes técnicas de primeira qualidade dentro do governo, nas áreas da Receita Federal e do Banco Central (BC), entre outras, mas falta "uma grande corporação" para executar investimentos. "O que temos hoje deixa a desejar. Está muito aquém do esperado e com isso perdemos um pouco de nossa capacidade." Segundo a ministra, o indicativo disso são as diferenças salariais gritantes entre, por exemplo, quem executa e quem fiscaliza a obra.

A ministra salientou que o salário de um engenheiro formado pode ser próximo de R$ 1 mil, enquanto um profissional da área de fiscalização chega a ganhar mais de R$ 10 mil. Dilma evitou admitir que o balanço do PAC de hoje será o último de sua gestão, porque ela deve se desligar do cargo para concorrer à Presidência da República, em outubro. "Não vou dizer aqui se é o ultimo ou não. Se vou ou não vou (concorrer)."
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