Ibope pesquisa peso do apoio de Lula para decisão do eleitor

Jose Roberto de Toledo, Estadao.com / Blog

“Nos próximos dias, a Confederação Nacional da Indústria deve divulgar nova pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial. Os pesquisadores do instituto foram a campo entre os dias 5 e 10 de março, como fazem a cada três meses por encomenda da CNI. O questionário que aplicaram desta vez, porém, tem algumas particularidades.

A 9ª pergunta é se o eleitor prefere votar em um candidato:

a) “Apoiado pelo presidente Lula”;

b) “De oposição ao presidente Lula”;

c) “Não vai levar em conta o apoio do presidente Lula para votar”.

A questão é interessante porque permitirá comparar o percentual daqueles que pretendem votar no candidato de Lula com a intenção de voto em Dilma Rousseff (PT). Se houver muitos eleitores que optam pela opção “a” e não declaram voto na candidata do governo, será sinal de que ela deve continuar crescendo nas pesquisas. Na hipótese de os percentuais se equivalerem, será indício de que o crescimento de Dilma se tornará mais difícil.

A pergunta 14 pede para o eleitor comparar os dois mandatos de Lula e dizer qual o melhor. Segue então a tradicional bateria de questões sobre a evolução das condições de vida do entrevistado, suas expectativas sobre o futuro da economia. As perguntas 19 e 21 também são interessantes: uma pretende medir o grau de endividamento dos eleitores, a outra, se o eleitorado aprova ou desaprova a ação do governo em 9 assuntos, de taxa de juros aos impostos, passando por meio ambiente, saúde e educação.

Se o governo for reprovado em alguma desses itens, pode servir de munição e discurso para oposição durante a campanha.

A partir da questão 24 há várias questões que pretendem medir o efeito que o debate sobre a privatização pode vir a ter durante a campanha eleitoral. O Ibope/CNI quer saber, por exemplo, quem, na opinião do eleitor, presta melhores serviços de educação e saúde, se as instituições públicas ou as privadas. Ou ainda se a exploração de petróleo deve ficar exclusivamente na mão do governo, da iniciativa privada ou se um meio termo.

Em geral, pesquisas de opinião pública no Brasil resultam em uma preferência do eleitor por um modelo mais estatizante do que privatista. Mas, pela sequência e forma como o questionário do Ibope foi montado, pedindo primeiro para o entrevistado avaliar os serviços públicos, para só então perguntar se eles devem ficar nas mãos do estado, pode ser que haja surpresas desta vez.

A pequisa Ibope/CNI foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 5429/2010. Foram 2002 entrevistas pessoais em todo o país, o que dá uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.”
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