Pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff tem o desafio de conquistar o voto das mulheres

Diferença nesse segmento na pesquisa CNI/Ibope é de 12 pontos percentuais em favor de Serra

Alana Rizzo, Correio Braziliense

Pérolas e contas. Ministra e candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff é famosa pela habilidade com os números. Agora tenta mostrar intimidade também com o universo cor-de-rosa. Dilma insiste que pode ser mais feminina. Trocou os tons sóbrios pelas cores vivas. Personalizou discursos e reúne amigas – seja em blogs ou em almoços. Ainda assim, não conseguiu se aproximar das mulheres. Última pesquisa divulgada, a CNI/Ibope, mostra que a chefe da Casa Civil está a 12 pontos percentuais de diferença de seu adversário nas urnas, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no conjunto das eleitoras. Ele tem 37% das intenções de voto contra 25% de Dilma. Integrantes da campanha da ministra articulam para os próximos meses ações para agradar às brasileiras e tirar, de uma vez por toda, a imagem de durona da ministra.

“Mulheres olham a biografia de um candidato”, diz ao Correio o coordenador da campanha de Michelle Bachelet à Presidência do Chile, Ricardo Solari. Médica, a presidente ocupou os cargos de ministra da Saúde e da Defesa no governo do ex-presidente Ricardo Lagos. Assim como a ministra Dilma, lutou contra a ditadura militar em seu país. A chilena foi exilada. Quando retornou, participou de uma organização não governamental para ajudar os filhos do regime militar. “Ela transmite a imagem de uma política preocupada com os mais pobres e necessitados”, explica Solari. Para o ex-ministro do Trabalho, nas eleições de 2006, os chilenos buscavam uma figura que representasse valores nobres da política e passasse credibilidade. “Tinha que ser alguém que ao mesmo tempo trouxesse perspectivas de melhorar as nossas instituições e garantisse transparência e continuidade ao que estava sendo feito”, afirma.

Dilma é economista. Foi secretária municipal da Fazenda em Porto Alegre, secretária estadual de Minas e Energia e em 2002 foi indicada para o cargo de ministra de Minas e Energia. Com a crise do mensalão e a saída de José Dirceu da Casa Civil, assumiu o posto. É conhecida pelo temperamento forte. Chegou a dizer que era a única durona no meio de homens fofos, em referência aos colegas de governo.

Mantém a defesa das mulheres, mas ultimamente evita o tom feminista. “Vamos ter um Brasil formado por homens e mulheres livres, homens e mulheres cidadãos igualmente responsáveis para construir não apenas um país, mas uma civilização brasileira. Para isso, as mulheres são imprescindíveis”, disse durante evento em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres. Naquele dia, Dilma tentou se aliar às mães trabalhadoras, destacando feitos deste governo. “Com mais créditos que demos por este país afora, com menos juros e impostos menores, cada vez mais mulheres puderam comprar lava-roupas, micro-ondas, aspirador de pó e conquistar tempo livre, tempo para terem suas atividades como cidadãs e como seres humanos plenos.”

Solari afirma que nem só de “Margaret Tatchers” sobrevivem as mulheres na política. Para ele, a “alma feminina” é fundamental. João Santana, marqueteiro de Dilma, sabe disso e vem preparando a ministra para deixar florescer o seu lado maternal. Fotos com crianças, entrevistas sobre sua vida pessoal e a expectativa de ser avó fazem parte da estratégia.”
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