Conversa com Dilma Rousseff

Beatriz Fagundes, O Sul / Rede Pampa

?Dilma ficou surpresa ao saber da antecipação do recesso no Congresso Nacional sugerida pelo líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza.? Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República, admitiu ser uma workaholic, mas declarou que o presidente Lula a supera nesse quesito. Ela revelou em uma conversa informal, durante visita a Rede Pampa, que durante todo o seu período como ministra da Casa Civil participou ativamente de todas as decisões de governo. Descreveu o presidente como um líder incansável e de decisões rápidas. Sua rotina como candidata é como uma montanha russa. De manhã cumprindo roteiros no Nordeste, e à tarde participando de atividades aqui pelo Sul. Até aí, nada de novo, essa é a agenda de qualquer candidato político. Ocorre que Dilma, até ontem, era uma executiva, que não sofria o assédio da imprensa e jamais esteve à frente dos microfones como candidata a qualquer cargo. Eis que surge uma mulher incansável, articulada, com uma memória invejável e com aquela rapidez de raciocínio indispensável aos líderes.

Perguntei sobre sua vida pessoal. Pergunta evidente, senão para os homens, óbvia para as mulheres. ?Que vida pessoal??, indagou uma Dilma tranquila e de gestos extremamente afetivos. Eis aqui um dado que passa ao largo durante as campanhas eleitorais, especialmente para cargos executivos. Eles abdicam temporariamente de suas histórias singulares, assumindo a ideia de cumprimento de uma missão maior, na qual suas vidas deixarão de pertencer a um grupo familiar para alcançar um cargo em que a dedicação será exclusiva ao Estado. Dilma comemora antecipadamente a chegada do neto Gabriel, e seus olhos brilham quando fala em um ser que ainda se desenvolve na barriga de sua filha. Gabriel deve chegar em meados do mês de setembro, e, a avó, provavelmente futura presidenta do Brasil, se declarou preocupada com os rumos do mundo e muito especialmente de nossa pátria. Esse comprometimento com o futuro, que tem cara e nome ? nossos filhos e netos ? faz total diferença, pois nesse amor incondicional se dissolvem vaidades e presunções. Questionada sobre uma segunda ponte no Guaíba, Dilma foi concisa e não usou a velha tática dos candidatos em campanha, afirmando que o governo Lula e, por consequência, o seu (se eleita), não promete, faz. Considerando a idade da ponte e todos os governos que prometeram a nova, fico com a resposta da Dilma. O povo está cansado de promessas. Dilma ficou surpresa ao saber da antecipação do recesso no Congresso Nacional, sugerida pelo líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza, mais ainda, como eu, ao saber da motivação: o tal recesso branco, que começará no dia dez de junho, será destinado para que os congressistas assistam a Copa do Mundo da África em casa. Bingo! Dilma, não criticou, mas ficou evidente sua surpresa, considerando que vários projetos importantes para o País estão lá na pauta de votações. Sobre a questão dos aposentados e o fim do fator previdenciário, a ex-ministra foi categórica: ?se o presidente tiver convicção que vetar é o melhor para o País, ele vetará. Lula não age com demagogia?. Uma conversa informal vale mais do que mil entrevistas. Nela, a gente assiste o candidato sem o sorriso ensaiado, sem as respostas repetidas e, principalmente, quando o ambiente permite, tranquilo para responder questões aparentemente simplórias. Uma mulher, mãe, avó, competente, e com estrela. Não tem experiência administrativa, diriam alguns. Não? Perguntem a quem já trabalhou com ela na Secretaria da Fazenda de Porto Alegre, na Secretaria de Minas e Energia do Estado e, principalmente, no comando do principal cargo, depois do presidente da República, na Casa Civil. Essa é a candidata a presidenta do Brasil. É nela que eu vou votar, sem nenhum resquício de dúvida. Decisão literal e radical.”
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