Mulheres no governo podem marcar a história do país, diz especialista

Milton Júnior, Contas Abertas

“Desde eleita, Dilma tem dito estar determinada a ampliar a cota de mulheres em seu governo. Na equipe de transição da futura presidente, o grupo feminino é maioria, mas nos ministérios elas ainda não superaram, em quantidade, o gênero masculino. Para Marcelo Tognozzi, coordenador do projeto “Mulheres no Poder”, que reúne informações sobre a atuação de mulheres em lideranças políticas e sociais, a liderança feminina pode surpreender e marcar a história nacional. Tognozzi acredita que o forte temperamento da presidente eleita será um diferencial na liderança, mas admite que o apoio de um homem – o vice-presidente, Michel Temer – será muito valioso.

Tognozzi, que também foi conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), lembra que muitas mulheres fizeram história e consolidaram a política brasileira. Entre elas, cita a princesa Isabel, que promulgou a Lei Áurea, e Anita Garibaldi, que teve um papel importante durante a Revolução Farroupilha. Em entrevista exclusiva, o idealizador de “Mulheres no Poder” fala sobre as oportunidades e desafios que a primeira presidente brasileira terá pela frente.

Contas Abertas (CA) – A presidente eleita está à procura de mulheres para compor seu ministério. Que conselho o senhor daria sobre as opções e a escolha dessas mulheres?

Tognozzi – Existem mulheres competentes e incompetentes, tal como no ambiente masculino. Vejo que a Dilma tende a selecionar sua equipe pelas qualidades profissionais e pela competência. Pode até ser que ela utilize critérios políticos para escolher algumas mulheres. São muitas as opções, mas acho que a futura presidente deve prezar por abrir mais espaço para a participação feminina, para que as pessoas conheçam mais o trabalho das mulheres, sejam elas parlamentares ou não.

CA – Quais as principais expectativas do “Mulheres no Poder” sobre a gestão Dilma?

Tognozzi – Nossas expectativas são as melhores possíveis. A partir do primeiro discurso de Dilma como presidente eleita, observamos que ela está pensando em desenvolvimento econômico, direitos humanos e na questão social. Se ela cumprir o que prometeu, acho que fará um excelente governo. Mas as coisas podem mudar. Quando o Fernando Collor assumiu a Presidência, tinha-se grandes esperanças sobre a atuação dele, achando que ele resolveria todos os problemas do Brasil. Infelizmente, não resolveu nada e ainda foi demitido.
Dilma deve se preocupar em negociar bem com o Congresso. A história do Brasil tem mostrado que os presidentes que não se deram bem com os parlamentares acabaram, de uma maneira ou de outra, deixando a Presidência da República. Em 1954, Getúlio Vargas se matou. Em 1961, Jânio Quadros renunciou. E, em 1992, Fernando Collor foi demitido. Acho que a relação dela com o Congresso Nacional determinará o sucesso ou o fracasso de sua gestão.”
Entrevista Completa, ::Aqui::
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