Germina um governo feminino

Mario Osava, da IPS / Envolverde

"Dilma Rousseff confirmou em suas ações iniciais como primeira presidente do Brasil que a dimensão feminina distinguirá sua gestão, desenhada para ser a continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma, após assumir o cargo e nomear nove ministras – recorde histórico –, anunciou que sua principal meta social é erradicar a pobreza extrema. Para cumprir esta promessa terá de adotar um enfoque de gênero, porque esta é uma chaga basicamente feminina, que resistiu às ultimas e exitosas políticas de combate à pobreza e à desigualdade no Brasil.

As famílias mais pobres estão majoritariamente a cargo de “mulheres com filhos pequenos, menores de dez anos”, segundo Hildete Pereira, professora da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora de economia e gênero. Esta situação ocorre por um conjunto de fatores, entre eles os fatos de as mulheres receberem salário menor do que o dos homens para trabalho igual, terem menos propriedades e serem as esquecidas nas heranças. Isto se agrava quando os casais se separam, pois são elas que, geralmente, assumem a responsabilidade pelos filhos, disse a economista à IPS.

Com menos renda, mais responsabilidades e obstáculos adicionais para obter emprego, a mãe sozinha cai na miséria. Por isso, o Programa de Erradicação da Pobreza Extrema, que estará pronto para aplicação em março conforme anunciado pelo governo de Dilma Rousseff, exigirá a capacitação das mulheres beneficiadas e incluirá ampla oferta de creches, disse Hildete. Se não forem criadas as condições para que essas mulheres tenham melhores oportunidades no mercado de trabalho e maiores rendas, as possibilidades de reduzir a miséria nesse segmento da sociedade serão muito escassas, segundo os especialistas.

A quantidade de brasileiros na indigência caiu de 32,4 milhões para 15,8 milhões, entre 1993 e 2008. Porém, se forem consideradas apenas as famílias lideradas por mulheres, apenas 300 mil pessoas saíram dessa situação dentre as 5,5 milhões que havia no começo desse período, segundo o Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade, com base em dados oficiais. Também se sabe que a situação é ainda pior nas dez maiores cidades do país, onde a quantidade de famílias indigentes encabeçadas por mulheres aumentou de 1,6 milhão para 1,8 milhão nos 15 anos estudados.

“O rosto da pobreza extrema é uma mulher negra e chefe de família”, resumiu Hildete, e acrescentou que também a discriminação racial contribui para anular, nesse setor populacional, os efeitos positivos do crescimento econômico, a geração de milhões de empregos e as políticas de transferência de renda que marcaram os oito anos do governo Lula.”
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