Renato Rabelo: A marca da mensagem de Dilma

Mensagens ao Congresso Nacional são momentos em que governantes procuram se colocar acima de meras situações conjunturais. O termo “mensagem” diz muito, principalmente num país cuja construção não foi marcada por via reta e sim pela cristalização de complexidades em variados níveis.

Renato Rabelo, Vermelho

Determinadas afirmações funcionam como senhas capazes de sensibilizar para algo que interesse aos mais diversos setores, inclusive os de classe social. Foi exatamente este o teor da mensagem lida pela presidente Dilma Rousseff na abertura dos trabalhos da 54ª Legislatura do Congresso Nacional.

Existem algumas marcas muito fortes na mensagem de Dilma Rousseff ao Congresso Nacional. A primeira que relaciona diretamente os avanços democráticos do país com a necessidade de se solucionar, de uma vez por todas, a chamada “questão social”, sintetizada numa luta renhida contra a pobreza extrema. Daí a presidente conclamar a sociedade brasileira por um pacto social para enfrentar e vencer este problema. Pode passar despercebido, mas essa relação entre democracia e erradicação da pobreza extrema guarda significado histórico e civilizacional sem precedentes para um país com uma herança autoritária tão forte como a do Brasil. Transformar essa relação em essência da própria reprodução do Estado e da Nação brasileira tem uma simbologia muito mais profunda do que imaginamos. E talvez a sedimentação desta relação seja a herança mais nobre do período 2003-2010. Uma avanço, repito, diante da própria história do Brasil.

O status conquistado pela “questão social” no país nos últimos anos se confunde com a própria mensagem de clara continuidade em relação ao mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste sentido, outro ponto positivo de sua mensagem é a menção ao crescimento econômico como antítese do voluntarismo no tocante à erradicação da pobreza. Basta termos claro que uma verdadeira cultura contra o crescimento econômico ainda impera nos meios de comunicação e mesmo em altas esferas governamentais. Afirmar a necessidade de crescimento econômico é salutar, independentemente da convicção da necessidade, exposta pela presidente, de “ações firmes de controle à inflação”.
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