Hugo Bachega, Reuters
“Em uma cerimônia marcada por simbolismos e
lembranças do tempo da ditadura, a presidente Dilma Rousseff deu posse nesta
quinta-feira à ex-companheira de cela Eleonora Menicucci como ministra-chefe da
Secretaria de Políticas para as Mulheres.
Tanto a presidente quanto a sua nova
auxiliar, que foram presas e torturadas e chegaram a dividir uma cela no
presídio Tiradentes durante o regime militar (1964-1985), discursaram no evento
e lembraram dos tempos de militância.
Eleonora falou primeiro. Fez um longo discurso,
no qual lembrou por diversas vezes os tempos da ditadura. Citou ambas as
trajetórias, que "se entrelaçaram quando ainda eram jovens", e o
encontro com Dilma em sua chegada ao presídio, quando a presidente a recebeu
com um "abraço com afeto".
"Nos engajamos na luta contra a
ditadura, fomos presas, torturadas, vivemos na mesma cela, tivemos
engajamento", disse.
A nova ministra emocionou-se ao homenagear
as vítimas do regime militar. "Quero nesse momento com muita emoção, e com
muita tristeza, render minhas homenagens a homens e mulheres jovens que
tombaram na luta contra a ditadura".
Eleonora substitui Iriny Lopes, que deixa o
cargo para concorrer à Prefeitura de Vitória pelo PT em outubro.
Dilma falou em seguida e retribuiu as
lembranças. Disse que a escolha de sua nova ministra, que nesta semana afirmou
que aborto é uma questão de saúde pública, se deu pelo "conjunto da
obra".
"Eu compartilho com a Eleonora uma
história de luta pela democracia e tenho certeza que nós muito nos orgulhamos
dessa história. Estivemos juntas e compartilhamos no presídio de Tiradentes a
dura experiência da prisão", disse Dilma.
"Eu posso afirmar a vocês que esses
são momentos em que o caráter e a dedicação às convicções e às causas são
testados à exaustão."
A troca na pasta das Mulheres é mais uma
das mudanças promovidas por Dilma em sua equipe ministerial neste ano.
As alterações devem ser concluídas com a
escolha de um titular definitivo para o Trabalho, ocupado interinamente por
Paulo Roberto dos Santos Pinto desde a demissão de Carlos Lupi (PDT), em
dezembro, por denúncias de irregularidades.”
Foto: Abr.



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