Inflação zero, indústria e grãos aliviam Dilma


Presidente ganha tempo para respirar; resultados recentes da economia reforçam argumentos contra pessimismo "artificial" apontado por ministro Guido Mantega; produção industrial cresceu em 14 de 18 regiões pesquisadas pelo IBGE; inflação de julho marcou 0,03%; safra de grãos quebra recorde histórico; vitória ontem no Congresso mostra que diálogo com a base avançou; mas as grandes apostas no caos continuam pesadas


O governo ganhou tempo para respirar. Mesmo pouco destacados pela mídia tradicional, três resultados oficiais da economia brasileira, combinados com um gesto de diálogo da presidente Dilma Rousseff, contribuíram para suavizar, ainda que momentaneamente, as pressões.

A taxa da inflação de julho, divulgada ontem, foi de praticamente zero: 0,03%. A produção industrial medida pelo IBGE registrou alta em 14 de 18 regiões pesquisadas, com resultados expressivos em Minas Gerais (2,8%), Bahia (2,5%) e Pernambuco (2,3%). A média nacional foi de 1,8%. No campo, enquanto isso, anuncia-se que a safra de grãos baterá novo recorde histórico, chegando a 186 milhões de toneladas.

Esses dados permitiram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixar por instantes uma posição que vinha sendo defensiva para apontar os danos que podem causar uma grande torcida contra. Para ele, há uma onda "artificial" de pessimismo no Brasil.

O gesto de diálogo feito pela presidente Dilma na direção dos líderes da base aliada no Congresso igualmente deu resultado. Na noite de ontem, a Câmara aprovou o trabalho de médicos militares na rede do SUS. A presidente havia feito um apelo neste sentido, assim como se comprometeu a receber pessoalmente os políticos a cada quinze dias.

Nada indica, porém, que as apostas pesadas no 'quanto pior, melhor' continuem sendo disseminadas pela mídia tradiconal. Na edição desta quinta-feira 8, o jornal Valor Econômico destaca uma pesquisa com 114 líderes de empresas cuja conclusão é a de que o ambiente econômico é desfavorável para investimentos. Com menor destaque, porém, a publicação informa que a inflação de serviços caiu fortemente.

Com os tucanos paulistas cada vez mais enredados no escândalo de distribuição de propinas em torno do metrô denunciado pela multinacional Siemens, o partido do governo, por seu lado, encontrou um meio de sair das cordas. O PT já se articula para pedir uma CPI no Congresso, o que, no mínimo, pode causar constrangimento de média duração para os tucanos.
Prometendo não mais baixar medidas econômicas aos borbotões e mantendo a tranquilidade na relação com o Congresso, o governo Dilma poderá surpreender aos que esperavam um segundo semestre ainda mais convulsionado do que o primeiro.

Abaixo, notícia da Agência Brasil sobre a safra recorde de grãos:

Conab prevê safra recorde de grãos este ano, de 186 milhões de toneladas

Kelly Oliveira
Agência Brasil


Brasília – A safra nacional de grãos no período 2012/2013 deve chegar a 186,15 milhões de toneladas. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa de produção é recorde e apresenta crescimento de 12,1% em relação ao período anterior. Esse é o 11º levantamento da companhia, feito entre os dias 22 e 26 de julho.

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De acordo com a Conab, o aumento é devido, principalmente, às culturas de soja e milho da segunda safra, com crescimento das áreas cultivadas de 10,7% e 17,6%, respectivamente. A produção de soja aumentou 22,7% (81,46 milhões de toneladas) e a de milho (45,14 milhões de toneladas), 15,4%.
O total de área cultivada é 53,27 milhões de hectares. A cultura de soja ocupa a maior área, com 27,72 milhões de hectares.

A Conab também informou que o estado de São Paulo, responsável por 70% da safra nacional de laranja, terá produção comercial para o ano, na safra 2013/2014, estimada em 296,8 milhões de caixas de 40,8 quilos, sendo que 14,7 milhões de caixas poderão ser de perdas ou de pouca expressão econômica.

As indústrias processadoras de suco vão absorver 252,7 milhões de caixas (85% do total produzido) e as caixas restantes serão destinadas ao mercado in natura. A área plantada é 498,5 mil hectares.

No Triângulo Mineiro a produção estimada é 10,9 milhões de caixas, com perdas previstas em 232,8 mil caixas. São 22,7 mil hectares de área total plantada.

Ainda segundo a Conab, a produção de cana-de-açúcar da safra 2013/2014 deve chegar a 652 milhões de toneladas, com aumento de 10,7% sobre as 588,92 milhões de toneladas do período anterior.”
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