Melhor nas pesquisas, Dilma vê oposição errar


Nas ruas, a radicalização de partidos como PSoL e grupos como os Black Blocs vai tirando a simpatia da classe média sobre as manifestações de protesto; no Congresso, articulação com PMDB barra implosão da base governista; entre os presidenciáveis de oposição, críticas a programas como o Mais Médicos não encontram repercussão no chamado povão; voltando a escalar, gradualmente, os degraus das pesquisas de opinião, presidente Dilma Rousseff age rápido em casos como a crise diplomática com a Bolívia, amplia arco de diálogo e se reequilibra; quem disse que ela não sabe fazer política?



Pode estar mordendo a língua quem diz que a presidente Dilma Rousseff não sabe fazer política. Depois de parecer despencar nos humores do eleitorado, medidos pelas pesquisas de opinião, ela acelerou o passo de sua agenda, vai cumprindo à risca o combinado com seus principais conselheiros e, em consequência, já experimenta uma recuperação nos mesmos levantamentos de opinião pública. Melhor ainda, para ela, é que, entre a oposição, nenhum dos principais personagens está conseguindo, até agora, atrair para si próprio o papel de ser considerado melhor do que ela para a função.

À exceção da ex-ministra Marina Silva, a única a apresentar ganhos significativos nos levantamentos de opinião apurados após as manifestações estudantis de junho, ninguém está conseguindo faturar o que a oposição gosta de chamar de sentimento coletivo de descontentamento. Ao contrário. Ao agir com rapidez frente às mensagens estampadas nos cartazes nas mãos dos jovens manifestantes, tanto ao chamar grupos organizados da sociedade para conversar como mandando e aprovando no Congresso verbas bilionárias para o setor de transportes, a presidente demonstra, na prática, não ter se assustado com a voz das ruas.

Após todos os movimentos de protesto, o que se tem é a popularidade da presidente em alta tanto nas pesquisas Datafolha e Ibope de agosto, que já indicam 38% de opiniões de ótimo e bom para a gestão de Dilma, contra, em ambas, 31% no mês anterior, como nos levantamentos feitos pelo Palácio do Planalto. No mais recente destes, a presidente saboreia 41% no quesito de aprovação do governo. Na outra ponta, as avaliações de péssimo e ruim caíram de 31% para 24%.

Contribuem para a recuperação não apenas os movimentos dela própria, mas, também, os erros da oposição.

Nas ruas, o PSoL e o grupo Black Bloc vão se encarregando de assustar a classe média, com manifestações cada vez mais violentas em grandes cidades como Rio e São Paulo. No Congresso, nenhum dos presidenciáveis soube aproveitar, neste momento, a crise de relacionamento do PMDB com o Planalto e, em lugar de um racha na base governista, o que se viu, ontem, foi a própria presidente no plenário do Congresso para fazer as pazes, ainda que armada, com o segundo maior partido.

Na mesma oposição, Aécio Neves enfrenta dentro do PSDB o jogo contra promovido por José Serra, o que o levou, por exemplo, a fazer pré-campanha em São Paulo, na semana passada, sem a presença do governador Geraldo Alckmin, temente a Serra. No PSB, o governador Eduardo Campos tenta montar seus palaques para 2014, ora conciliando com o governo, ora atacando-o, mas ainda sem resultado prático.

No campo da administração, Dilma agiu como rapidez e energia, como o cidadão comum gosta, no caso da crise diplomática com a Bolívia, despachando sem delongas o então ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

E a presidente também parece ter encontrado a sua bala de prata, capaz de resolver o tiroteio, com o programa Mais Médicos. A grita da classe conta o plano está se mostrando tão cheia de ódio e preconceito, especialmente no episódio do xingamento aos médicos cubanos em Fortaleza, de repercussão nacional, que mesmo quem era contra, agora, tende a ficar a favor.

A manter essa sorte, e continuar segurando, como pode, os efeitos da crise econômica mundial no Brasil, Dilma vai calando os que já a viam como antecipadamente derrotada pelas dificuldades do cargo.”
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