Agenda da desigualdade é propícia ao Brasil em Davos

"Presidente Dilma Rousseff sobe as montanhas geladas da Suíça com um problema e uma solução; precisa passar confiança a investidores em seus compromissos macroeconômicos, o que não será fácil, mas tem resultados espetaculares a apresentar em cima do tema principal do encontro dos ricos: como combater a desigualdade social; elite política e econômica está "ansiosa" para ouvir as políticas de inclusão praticadas pelo governo, disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab; se os líderes estão mesmo preocupados com isso, Dilma terá lição a dar no encontro marcado para a sexta-feira 24; ministro Guido Mantega adianta que metas ao gosto do grande capitalismo global estão sendo alcançadas; "Não estamos em crise de meia idade", reagiu ele

Brasil 247

O ano de 2014 começará marcado pela 'estreia' da presidente Dilma Rousseff em Davos. A presença de um presidente brasileiro, pela primeira vez desde 2003, no Fórum Econômico Mundial, que reúne anualmente a elite política e econômica do mundo, não é à toa. A agenda da desigualdade está em pauta, e com base nas declarações do próprio fundador e presidente executivo do evento, Klaus Schwab, Dilma é aguardada para dar o exemplo aos 2.500 participantes.

Segundo Schwab, os líderes políticos e de negócios estão "ávidos para ouvir a presidente sobre suas políticas de inclusão social, porque a inclusão social é o problema que está em mente para os participantes do fórum anual em Davos". O executivo alemão declarou ainda: "Nós também estamos ansiosos por ouvir dela sobre suas políticas futuras, que precisam relançar objetivos e, ao mesmo tempo, garantir que todos os pobres que hoje são deixados à margem do desenvolvimento econômico serão integrados ao sistema de bem-estar social".

Também em Davos, o ministro Guido Mantega, corrobora com a tese de que a presença do País é essencial para discutir o tema da desigualdade. Em entrevista ao Blog do Planalto, nesta quinta-feira 23, o titular da Fazenda lembrou que o Brasil foi um dos únicos países que, mesmo num período de crise, conseguiu avançar na redução da desigualdade e da pobreza. E que continuou a ver a renda da classe média e da base da pirâmide aumentar de forma mais rápida.

"Então, nós podemos dizer que a população brasileira foi a que menos sentiu a crise mundial. E mantivemos também elevado o nível de emprego, que é fundamental. Enquanto na Europa, o desemprego chega a níveis acima de 12% e, até agora, não se vê uma saída para isso. No Brasil, nós conseguimos manter uma situação de, praticamente, pleno emprego para todos os segmentos sociais e durante todo o tempo", destacou Guido Mantega.

Esta edição do Fórum, pela primeira vez em seis anos, acontece um clima de otimismo. Pesquisa anual da PricewaterhouseCoopers (PwC) com mais de 1.300 presidentes-executivos revelou que 39% estão "muito confiantes" que a receita de suas empresas irão crescer em 2014, contra 36% um ano atrás. Mesmo o tema sobre os mercados emergentes, visto com incerteza por esses executivos no que diz respeito ao crescimento, será rebatido na exposição de Dilma, na sexta-feira 24.

Mantega ressaltou que o Brasil se prepara, junto com o resto do mundo, para a superação da crise econômica, o que vai trazer taxas maiores de crescimento. O ministro que participa, nesta quinta, de um debate sobre o Brics, bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, também rebateu a constatação de Klaus Schwab de que o Brasil "tem os ingredientes para sair da crise de meia idade" em que se encontra. "Não há crise de meia idade e, sim, crise da economia mundial", disse em Davos.

Segundo Mantega, se tem feito uma avaliação errada de que, com a recuperação da economia, os países avançados recuperarão a dianteira do crescimento. "Os analistas acham que os países avançados agora vão liderar o crescimento mundial. Eu acho que isso é um equívoco. (...) Os Brics, mesmo nesse momento de crise, continuaram crescendo muito acima do que as taxas dos países avançados. Na medida em que o comércio mundial se reativar, voltar a crescer a taxas um pouco maiores, os Brics, que estão crescendo menos do que cresciam nas suas taxas históricas, voltarão a acelerar as suas taxas de crescimento", ressaltou."
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