Cerco dos EUA à Rússia dá megaoportunidade a BRICS


"Reunião de cúpula entre presidentes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul começou às 10h30, em Fortaleza; Vladimir Putin disse que bloco vai fazer frente "à caça" empreendida pelos Estados Unidos a países que discordam das posições do Departamento de Estado; com os sócios dos BRICS, Rússia quer dinamizar integração comercial e cooperação científica, tecnológica e também militar; encontro ontem, no Palácio do Planalto, foi marcado por assinatura de acordos bilaterais; novo banco de desenvolvimento será anunciado com fundos de US$ 50 bilhões para financiar projetos em países emergentes; ordem mundial em transformação

Brasil 247

Os BRICS podem mesmo mudar a ordem mundial de forças. Depois do real interesse da China, hoje a maior economia do mundo, em dinamizar o bloco nascido de uma reflexão do economia Jim O'Neill, agora é a Rússia que deixa claro estar fazendo todo empenho, verdadeiramente, para que a aliança entre Brasil, China, Índia, a própria Rússia e a África do Sul evolua para um bloco político e comercial de peso nas decisões mundial.

- Pretendemos levantar durante a cúpula um debate sobre casos frequentes de uso em massa de sanções unilaterais", afirmou Putin em entrevista à agência russa de notícias Itar-Tass. Essa foi uma referência bastante clara sobre o boicote econômico à Rússia imposto pelo Estados Unidos em razão da crise de governo na Ucrânia.

- Agora a Rússia está sob ataque de sanções vindas dos EUA e seus aliados, disse Putin na entrevista. "Devemos (os BRICS) ponderar juntos um sistema de medidas que permitiria impedir a caça aos países que discordam com certas decisões na área da política externa tomadas pelos EUA e os aliados deles, mas conduzir diálogo civilizado."

Na prática, essa mudança está em pleno curso. Ontem, durante encontro no Palácio do Planalto, Putin assinou com a presidente Dilma Rousseff uma série de acordos de cooperação comercial, tecnológica e militar. Hoje, em Fortaleza, Putin deverá retomar a ofensiva para dar novo cunho político aos BRICS.

Nesse contexto, o anúncio previsto da criação do Novo Banco de Desenvolvimento, com recursos de US$ 50 bilhões aplicados pelos cinco países sócios à razão de US$ 10 bilhões cada um, é uma peça estratégica. A instituição vai funcionar como um espelho do FMI, mas voltado, exclusivamente, para projetos em países em desenvolvimento, especialmente na área de infraestrutura. Os BRICS reúnem um mercado de 3 bilhões de pessoas.

Os presidentes dos BRICS devem discutir, hoje, onde será a sede do novo banco. Há uma disputa forte entre Índia e China. O Brasil está pleiteando indicar o presidente do banco. A Rússia deve apoiar o pleito brasileiro.

Até aqui, os Estados Unidos ainda não emitiram qualquer palavra pública em relação à cúpula dos BRICS. Não há dúvida nos meios políticos e diplomáticos de que o país do presidente Barack Obama não está gostando nada da unidade apresentada entre os países sócios. Afinal, os BRICS representam um passo decisivo no estabelecimento de uma nova ordem mundial."
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