No Brasil de hoje, governar é lutar


"Os sinais emitidos pela presidenta não deixam margem para que se questione se ela dará cabo dos quatro compromissos anunciados no Discurso da Vitória

Leopoldo Vieira, Brasil 247

A presidenta Dilma anunciará a nova equipe econômica nesta quinta-feira. Os jornais afirmam que Joaquim Levy chefiará a Fazenda, Nelson Barbosa o Planejamento, Kátia Abreu a Agricultura e Armando Monteiro a Indústria.

Um primeiro fato salta aos olhos. A presidenta parece ter conseguido um consenso inédito, pelo menos quanto às direções da Fazenda e Planejamento. Nunca na história deste país, importantes jornalistas de direita e de esquerda convergiram ao elogio de uma equipe econômica.

Claro, há setores críticos, mas centrar a crítica na presidenta é não querer ver que a proposta foi resultante de um entendimento entre atores-chave do campo nacionalista, popular e democrático. Portanto, sem essa de que Dilma "não ouve o PT" por que este aprovou, em sua última Executiva Nacional, uma resolução "de esquerda" e ela, supostamente, estaria a adotar a agenda derrotada nas urnas.

Quem duvida do rumo, deve saber diferenciar o Principal e o Acessório, todavia, os sinais emitidos pela presidenta não deixam margem para que se questione se ela dará cabo dos quatro compromissos anunciados no Discurso da Vitória.

Em entrevista coletiva a jornalistas durante a reunião do G-20, a presidenta considerou uma gentileza que ministros colocassem seus cargos à disposição, mas deixou claro, em palavras mais ou menos assim, que estes sempre estariam à disposição dela, por que assim o é no Presidencialismo. Também disse que haveria ajustes, mas que não prejudicariam a demanda, mas tão somente despesas consideradas como excessos. Nas articulações propriamente ditas do bloco, o Brasil cumpriu um papel determinante na articulação do que já é chamado de um "PAC do G-20", o oposto da cartilha do FMI para o mundo. O chefe da Casa Civil, em recente reunião com a Confederação Nacional da Indústria-CNI, não só defendeu a revisão da meta do superávit na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como assegurou que o objetivo seria preservar empregos, salários e investimentos em infraestrutura. O mantra da campanha.

Tudo indica que a conta resultante da economia será estímulos desenvolvimentistas com rigor fiscal e não o oposto, rigor fiscal determinando a margem do desenvolvimento. E quem disse que "representações" de certos setores estarão no governo para defender certas agendas e não para refazer pactos e possibilitar avanços?

O que a presidenta precisa neste momento é de apoio. Apoio para colocar os termos do governo nos termos da campanha, para não ser emparedada, venha de onde vier a pressão."
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