Dilma: PSDB assumiu viés estruturalmente golpista


Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, a presidente afastada Dilma Roussef disse que o PSDB é uma ameaça ao estado democrático de direito e afirmou que o partido "assumiu uma atitude estruturalmente golpista e de defesa do Estado de Exceção"; segundo a petista, diante da "volúpia de pressionar Temer a fazer o trabalho sujo", os tucanos se colocaram na contramão da história; ela também criticou o ministro Alexandre Moraes por fazer uso político da Lava Jato e a operação em si pela prisão do ex-ministro Guido Mantega; "estarrecedor", afirmou

Brasil 247 -

Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, do jornal GGN, a presidente afastada Dilma Rousseff avalia que o PSDB assumiu um viés assumidamente golpista, que coloca em risco o estado de Direito no Brasil.
 
"Acho que PSDB, na volúpia de pressionar Temer a fazer o trabalho sujo, colocou-se na contramão da história. É o que acho mais forte e ameaçador à democracia, porque representa o que pensa a grande mídia, o que você denomina de empresário rentista e representa uma visão de mundo que nem o FMI tem mais ousadia de propor", diz ela.

"É estarrecedora a fala recente de Fernando Henrique Cardoso, de como as reformas liberais produzem igualdade. Tudo o que ela não produz é igualdade. A crise política, que gera Donald Trump nos Estados Unidos, Le Pen na França, é fruto do fato de que o neoliberalismo produz uma concentração de renda absurda."

Ela também criticou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, por usar politicamente a Polícia Federal. "Essa história do Ministro da Justiça de dizer em ato político que novas prisões iriam ocorrer é algo gravíssimo, sendo tratada como uma mitomania. Não é por aí. É porque isso mostra a utilização de um instrumento como a PF contra adversários políticos. E o uso dessa informação politicamente", disse ela, que também comentou o caso do ex-ministro Guido Mantega. "Fiquei perplexa com o que aconteceu com Mantega, paradeiro certo e sabido. A troco de quê? Decisão do Supremo de que pessoas só presas quando representam perigo para sociedade. É de estarrecer."

Equívocos na economia

Na entrevista, Dilma também admitiu ter pecado na condução da economia, ao conceder desonerações ficais em excesso. "Cometi equívoco, sim Erramos ao julgando que as isenções para as contribuições à Previdência, de quase R$ 30 bi, mais as do IPI poderiam resultar em aumento do investimento. Fizemos várias reuniões para discutir se as medidas contracíclicas ampliariam a demanda, neutralizaria o movimento de redução da atividade econômica", diz ela. "A prática comprovou que serviu apenas para recomposição de margem. Fragilizou a gente, quando era mais necessário enfrentar a crise econômica. Perdemos R$ 40 bilhões de receita básica. A vida mostrou que foi uma avaliação errada. Foi uma quantidade enorme de isenções fiscais."

"O segundo equívoco foi achar que daria para fazer ajuste apenas cortando as despesas. Todos os países que saíram da recessão tiveram que aumentar a receita. Só com cortes de despesas, apenas se aprofunda ainda mais a crise. Os cortes fiscais que fizemos significaram uma recomposição da receita perdida com as isenções. Nossa força seria a CPMF, que poderia arrecadar R$ 38 bilhões."
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