Dilma: Atitude de Geddel vai além da corrupção


Na entrevista que concedeu ao 247, a presidente deposta Dilma Rousseff fala sobre a importância do Iphan, do Ministério da Cultura e das consequências culturais com a interferência do agora ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para liberar uma obra embargada que seria construída no centro histórico de Salvador, onde ele tem um apartamento; "Se ocorresse em qualquer governo decente, ele teria que ser afastado", declarou, dias antes de a situação de Geddel ficar insustentável e ele pedir demissão; questionada sobre o eventual motivo que impediu Michel Temer de agir contra Geddel, Dilma diz que nenhum hipótese pode ser boa; "Por que ele não tomou providência? Não existe solução pelo menos adequada, só hipótese muito ruim"

Brasil 247 -

Em entrevista concedida ao 247 na semana passada, a presidente deposta pelo impeachment, Dilma Rousseff, avaliou o mais novo escândalo do governo de Michel Temer, envolvendo o agora ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e atingindo o próprio presidente da República.

Para Dilma, a atitude que Geddel teve – usando seu cargo para tentar liberar uma obra embargada, que seria construída no centro histórico de Salvador – vai além da corrupção. Isso porque "a cultura em nosso País é algo essencial, porque nós somos um país diverso, então ela cumpre um papel de estruturar a nossa nacionalidade, ela é um cimento para nós nos reconhecermos, ela contribui para isso".

"Desde que foi criado, o MinC teve um papel muito importante. O Iphan é o preservador do nosso patrimônio histórico. O povo sem patrimônio histórico, sem história, ele perde a sua identidade", prosseguiu Dilma, observando as consequências no setor da cultura para o gesto de Geddel, que como lembrou Dilma, foi "para se beneficiar, ou para beneficiar terceiros". "Desde o início, o governo interino, naquela época, mostrou um absoluto descompromisso com a população", observou.

"Se ocorresse em qualquer governo decente, ele teria que ser afastado", criticou a ex-presidente, quase uma semana antes do pedido de demissão de Geddel, que ocorreu nesta sexta-feira 25, em uma carta enviada por email a Michel Temer. O motivo para o presidente não ter agido, de acordo com Dilma, podemos especular, mas ele não será nada positivo.

"A gente passa a ter uma gama, um leque de possibilidades para especular. Agora... nenhuma das hipóteses é boa. Por que não tomou providência? Não existe solução pelo menos adequada, só hipótese muito ruim", opina. "A partir disso que está acontecendo, a população pode especular e fazer uma avaliação", acrescentou, quando questionada se acredita que há outros casos desse tipo no governo.

Desde a entrevista de Dilma ao 247, na última segunda-feira, houve de fato novo no caso o envolvimento direto de Temer, acusado de ter tentado "enquadrar" o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para que ele agisse em favor de Geddel e de seu imóvel no espigão. Calero já prestou depoimento à Polícia Federal e teria gravado conversas com Temer, Geddel e o ministro Eliseu Padilha.
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